Ao admirar as estrelas
me deparo com a grandeza do infinito
e me maravilho na pequenez e
limitações do meu eu.
O coração bate forte
e um sorriso se faz fácil no rosto.
A lua me mostra os passos nas ruas desertas,
o céu repleto me faz companhia
e me guarda com seu manto divinal.
Na brisa lanço batimentos cardíacos acelerados endereçados,
brotam palavras descansadas
e verbos afoitos, tinjo
minhas vestes da alma e
sobrevôo meus sonhos de arlequim,
digo provérbios
despejo cravos
acostumo as veias febris.
Pouco a pouco meus pés deixam o chão e
me encanto com sábios e
me encanto com a descoberta de mim mesmo,
trem que parte, ferro de gente
rio que bate no coração quente!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Passageiro eterno
Esse é um daqueles momentos em que a única arma que se tem para desentulhar a alma é escrever. O que se sente é grande e o que não se pode guardar acaba se esparramando pelos cantos e no colo de outros que jamais poderão entrar na própria carcaça.
As vontades sempre se antecipam e cada frase se atrai como um imã tornando-nos sentimentais demais.
Essa é a história de Ségio Christino.
Certo dia estava passando pela rua de noite, pois simplesmente são as melhores horas para esparramar as idéias pelo ar e deixar fluir o que o coração manda. De longe ouvi uma canção triste que entrou nos meus ouvidos e me repercutiu na alma e subitamente me senti preenchido por aquele pedaço vazio de notas esparsas e os passos se acalmaram, procurei a origem, na calçada, em frente ao ponto de ônibus, estava sentado um homem baixo e magro de meia idade, calvo, barba por fazer e cabelos também. Aquela figura liberava o que havia entalado em sua garganta cantando para as estrelas não importando os poucos transeuntes. Um deles era eu. Ao passar senti uma vontade de parar, as pernas começaram a ficar pesadas e os poucos metros que prossegui me fizeram retroceder. E agora?
- Olá.
- Olá?!
- Tudo bem?
- Porque? Parou só porque estava cantando??
- É, acho que sim.
- Você vai pegar o ônibus?
- Não.
Então sentei ao lado dele na calçada e observei seu olhar para o céu e para as estrelas.
- Sabe, estava cantando porque lembrei de alguém. Essa pessoa gostava muito que eu cantasse para ela essa música. Então lembrei dela e comecei a cantar.
- Como era o seu nome?
- Dominique. Faz mais de dez anos que ela me deixou. Mas nos conhecemos muito antes.
Com um olhar profundo me encarou nos olhos.
- Eu era traficante. Trabalhava para o dono do morro, mas antes era militar. Trabalhei como chefe de segurança e aproveitava os contatos para vender toda droga que conseguia. Eu era o rei da cocada preta. Então, conheci Dominique. Eu já tinha meus 30 e poucos anos e ela seus 17. Até os 19 anos estivemos juntos. Sentia-me muito bem porque tinha a mulher que queria e conseguia tudo o mais que quisesse. Nesses dois anos eu sempre estive em função das festas e das vendas de drogas, às vezes me drogava, bebia e tudo ia bem.
- Dominique muitas vezes me alertou para deixar essa vida e começarmos uma família de verdade. Me avisava que um dia não a encontraria em casa e esse dia chegou. “Eu avisei né? Eu avisei.” Estava escrito num bilhete que encontrei após chegar em casa depois de uma noite de curtição.
- Desabei. Fumava cada maconha que encontrava na frente e derretia cada pedra que estivesse ao meu alcance. Logo tive problemas e fui internado numa clínica de reabilitação. Lá descobriram que eu tinha períodos que esquizofrenia, mas não pelas drogas que havia consumido e sim pelo período no qual era militar, não queira saber como era o regime por lá. Eu era pára-quedista e o nosso regime era muito estressante. Sabe, ninguém sai de lá sem nenhuma seqüela e a minha era essa.
Após isso, como se conseguisse ler alguma incredulidade nos meus olhos tirou o documento da carteira no qual mostrava sua aposentadoria mensal de 3000 e poucos reais, seu nome; Sérgio Christino. O fato era que eu não precisava de nenhuma prova, pois lia nos seus olhos que não havia o que duvidar.
- Bem, eu sei que acreditas em mim. Enfim, após o diagnóstico me foi designado um responsável legal, que foi o meu primeiro filho da minha primeira mulher. Dominique foi a minha terceira. O que acontecera depois ninguém poderia acreditar. Saindo da reabilitação ganhei a guarda dos meus 2 filhos e começamos a viver juntos. Nesse tempo havia descoberto que Dominique havia se mudado para Blumenau e eu sabia até qual era seu endereço. Eu ainda a amava. Mas uma das coisas que aprendi na reabilitação é que as pessoas deviam ser livres e se ela gostasse de mim o quanto eu gostava dela ela voltaria para mim e foi o que aconteceu após 9 anos. Ela retornou para mim e começamos a viver juntos novamente eu, meus dois filhos e ela. Foram os dois anos mais felizes da minha vida. A Dominique estava esperando meu terceiro filho e finalmente eu viveria com a mulher que amava e com meus filhos juntos. Mas meus filhos começaram a sentir ciúmes da Dominique e competiam por atenção. Logo a situação se tornou insuportável e Dominique me colocou na parede: ou eu escolhia os meus filhos que já estavam bem grandinhos ou ela e o bebê. Como haveria de resolver ambos os lados? A solução veio com ela indo morar um ano com a mãe e nesse tempo eu deveria resolver o futuro dos outros dois. Mas nesse meio tempo meu filho mais velho junto com meu outro filho me expulsaram de casa, pois como era meu responsável legal era ele que sempre recebia a minha aposentadoria, pois já era maior de idade. Não fui aceito em nenhum lugar e a mulher que pariu meu terceiro filho não me aceitou sem a minha aposentadoria. Desde então se passaram 13 anos, meu filho mais velho recebia a cada mês o meu dinheiro, até me disseram que ele foi visto no Ano Novo no Gasômetro com uma super moto e várias correntes de ouro. O filho de 13 anos havia se tornado bandido e hoje sou guardador de carro numa ruazinha aqui atrás.
Com lágrimas nos olhos me mostrou uma sacolinha de pão amanhecido que havia pego pendurada na frente de um apartamento.
- E você? Qual é seu nome?
- Gabriel.
Depois de nos cumprimentarmos ele me acompanhou pelo meu caminho, dessa vez era ele que tinha saído do seu percurso natural, pois esperava um ônibus, e, com amargura e alegria, contei a ele minha história. Me escutava com uma atenção singular e se preocupava em me perguntar todos os detalhes. Antes de embarcar dei a ele o meu porta moedas cheio e com a única nota de 5 reais que havia na carteira, não por ter me contado a sua história mas porque agora ele se tornava parte de mim e eu parte dele, mesmo ele havendo a idade para ser meu pai sentia-o como um irmão mais velho e quando me contava sua história era eu que estava na reabilitação, eu a ter um relacionamento conturbado, eu a ter problemas de saúde, eu a ter infelicidades, eu a me achar o rei da cocada preta.
- Sabe Sérgio, quem ama não coloca as pessoas na parede, não coloca o pai contra os próprios filhos.
Esperamos pelo próximo T2A passar dois pontos de ônibus a frente e depois de um abraço nos despedimos.
Isso foi ontem à noite à caminho da casa dos Darós(15/01). A escrita da história foi agora (ínicio às 10 e pouco da manhã, final a 11:14). Por acaso alguém já subiu o volume da música em casa e começou a dançar do nada? Make It Mine, Jason Mraz é uma boa.
Ah, esqueci de dizer, a história é verídica.
As vontades sempre se antecipam e cada frase se atrai como um imã tornando-nos sentimentais demais.
Essa é a história de Ségio Christino.
Certo dia estava passando pela rua de noite, pois simplesmente são as melhores horas para esparramar as idéias pelo ar e deixar fluir o que o coração manda. De longe ouvi uma canção triste que entrou nos meus ouvidos e me repercutiu na alma e subitamente me senti preenchido por aquele pedaço vazio de notas esparsas e os passos se acalmaram, procurei a origem, na calçada, em frente ao ponto de ônibus, estava sentado um homem baixo e magro de meia idade, calvo, barba por fazer e cabelos também. Aquela figura liberava o que havia entalado em sua garganta cantando para as estrelas não importando os poucos transeuntes. Um deles era eu. Ao passar senti uma vontade de parar, as pernas começaram a ficar pesadas e os poucos metros que prossegui me fizeram retroceder. E agora?
- Olá.
- Olá?!
- Tudo bem?
- Porque? Parou só porque estava cantando??
- É, acho que sim.
- Você vai pegar o ônibus?
- Não.
Então sentei ao lado dele na calçada e observei seu olhar para o céu e para as estrelas.
- Sabe, estava cantando porque lembrei de alguém. Essa pessoa gostava muito que eu cantasse para ela essa música. Então lembrei dela e comecei a cantar.
- Como era o seu nome?
- Dominique. Faz mais de dez anos que ela me deixou. Mas nos conhecemos muito antes.
Com um olhar profundo me encarou nos olhos.
- Eu era traficante. Trabalhava para o dono do morro, mas antes era militar. Trabalhei como chefe de segurança e aproveitava os contatos para vender toda droga que conseguia. Eu era o rei da cocada preta. Então, conheci Dominique. Eu já tinha meus 30 e poucos anos e ela seus 17. Até os 19 anos estivemos juntos. Sentia-me muito bem porque tinha a mulher que queria e conseguia tudo o mais que quisesse. Nesses dois anos eu sempre estive em função das festas e das vendas de drogas, às vezes me drogava, bebia e tudo ia bem.
- Dominique muitas vezes me alertou para deixar essa vida e começarmos uma família de verdade. Me avisava que um dia não a encontraria em casa e esse dia chegou. “Eu avisei né? Eu avisei.” Estava escrito num bilhete que encontrei após chegar em casa depois de uma noite de curtição.
- Desabei. Fumava cada maconha que encontrava na frente e derretia cada pedra que estivesse ao meu alcance. Logo tive problemas e fui internado numa clínica de reabilitação. Lá descobriram que eu tinha períodos que esquizofrenia, mas não pelas drogas que havia consumido e sim pelo período no qual era militar, não queira saber como era o regime por lá. Eu era pára-quedista e o nosso regime era muito estressante. Sabe, ninguém sai de lá sem nenhuma seqüela e a minha era essa.
Após isso, como se conseguisse ler alguma incredulidade nos meus olhos tirou o documento da carteira no qual mostrava sua aposentadoria mensal de 3000 e poucos reais, seu nome; Sérgio Christino. O fato era que eu não precisava de nenhuma prova, pois lia nos seus olhos que não havia o que duvidar.
- Bem, eu sei que acreditas em mim. Enfim, após o diagnóstico me foi designado um responsável legal, que foi o meu primeiro filho da minha primeira mulher. Dominique foi a minha terceira. O que acontecera depois ninguém poderia acreditar. Saindo da reabilitação ganhei a guarda dos meus 2 filhos e começamos a viver juntos. Nesse tempo havia descoberto que Dominique havia se mudado para Blumenau e eu sabia até qual era seu endereço. Eu ainda a amava. Mas uma das coisas que aprendi na reabilitação é que as pessoas deviam ser livres e se ela gostasse de mim o quanto eu gostava dela ela voltaria para mim e foi o que aconteceu após 9 anos. Ela retornou para mim e começamos a viver juntos novamente eu, meus dois filhos e ela. Foram os dois anos mais felizes da minha vida. A Dominique estava esperando meu terceiro filho e finalmente eu viveria com a mulher que amava e com meus filhos juntos. Mas meus filhos começaram a sentir ciúmes da Dominique e competiam por atenção. Logo a situação se tornou insuportável e Dominique me colocou na parede: ou eu escolhia os meus filhos que já estavam bem grandinhos ou ela e o bebê. Como haveria de resolver ambos os lados? A solução veio com ela indo morar um ano com a mãe e nesse tempo eu deveria resolver o futuro dos outros dois. Mas nesse meio tempo meu filho mais velho junto com meu outro filho me expulsaram de casa, pois como era meu responsável legal era ele que sempre recebia a minha aposentadoria, pois já era maior de idade. Não fui aceito em nenhum lugar e a mulher que pariu meu terceiro filho não me aceitou sem a minha aposentadoria. Desde então se passaram 13 anos, meu filho mais velho recebia a cada mês o meu dinheiro, até me disseram que ele foi visto no Ano Novo no Gasômetro com uma super moto e várias correntes de ouro. O filho de 13 anos havia se tornado bandido e hoje sou guardador de carro numa ruazinha aqui atrás.
Com lágrimas nos olhos me mostrou uma sacolinha de pão amanhecido que havia pego pendurada na frente de um apartamento.
- E você? Qual é seu nome?
- Gabriel.
Depois de nos cumprimentarmos ele me acompanhou pelo meu caminho, dessa vez era ele que tinha saído do seu percurso natural, pois esperava um ônibus, e, com amargura e alegria, contei a ele minha história. Me escutava com uma atenção singular e se preocupava em me perguntar todos os detalhes. Antes de embarcar dei a ele o meu porta moedas cheio e com a única nota de 5 reais que havia na carteira, não por ter me contado a sua história mas porque agora ele se tornava parte de mim e eu parte dele, mesmo ele havendo a idade para ser meu pai sentia-o como um irmão mais velho e quando me contava sua história era eu que estava na reabilitação, eu a ter um relacionamento conturbado, eu a ter problemas de saúde, eu a ter infelicidades, eu a me achar o rei da cocada preta.
- Sabe Sérgio, quem ama não coloca as pessoas na parede, não coloca o pai contra os próprios filhos.
Esperamos pelo próximo T2A passar dois pontos de ônibus a frente e depois de um abraço nos despedimos.
Isso foi ontem à noite à caminho da casa dos Darós(15/01). A escrita da história foi agora (ínicio às 10 e pouco da manhã, final a 11:14). Por acaso alguém já subiu o volume da música em casa e começou a dançar do nada? Make It Mine, Jason Mraz é uma boa.
Ah, esqueci de dizer, a história é verídica.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
percepção
A vitrine é aberta
por aquilo que cerca
sem cartaz ou faixa
diz o interior
mas a maioria das outras
vitrines
sem turvam ao perceber
que a vitrine é transparente
mas o que de mais caro possui
está nos fundos da galeria
logo de cara se encontra
um sorriso
e a dispretenciosidade da amostra
que não quer ser comprada
mas procura o fundo de outras galerias
tentando limpar o turvo
a vitrine também não possui alto falantes
pois é com palavras baixas e carregadas
com senso é claro
se atraem
as freguesias mais ousadas
por aquilo que cerca
sem cartaz ou faixa
diz o interior
mas a maioria das outras
vitrines
sem turvam ao perceber
que a vitrine é transparente
mas o que de mais caro possui
está nos fundos da galeria
logo de cara se encontra
um sorriso
e a dispretenciosidade da amostra
que não quer ser comprada
mas procura o fundo de outras galerias
tentando limpar o turvo
a vitrine também não possui alto falantes
pois é com palavras baixas e carregadas
com senso é claro
se atraem
as freguesias mais ousadas
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O Tocador de Flautas
Certa vez tiveram uma idéia genial. Contrataram um habilidoso flautista que, através de sua música, conseguiria hipnotizar os ratos de uma cidade infestada.
Hoje em dia estamos cheios de flautistas e eles estão por toda parte, estão porque certo dia tiveram a brilhante idéia de "criar" um flautista que nos roubasse os valores, a moral, o certo e o errado, nos tiraram o interesse pelo bem comum, planificaram os julgamentos nesse mundo em que "tudo é igual" e enxertaram em palavras tão significativas outras palavras que relativizam e diminuem o sentido real delas mesmas. Nos extinguiram o significado da vida e nos enquadraram em ações rotineiras em busca do que nos ajudará a ter mais e a ser e pensar menos. A cada dia vêm um novo jornal e a notícia de ontem já não existe, o que acontece amanhã anula o nosso hoje e os escândalos nacionais ontem são águas passadas.
O que é essa música que sinto nos meus ouvidos e que me aflige o cérebro e me toma as atitudes? Quem a toca e quem teve a idéia de contratá-lo? Até quando vou dançar essa música? Até quando vou ser considerado um "careta" por professar uma religião, por escolher estar as vezes em casa com a minha família em vez de ir para a balada, por ter e defender as minhas opiniões políticas acreditando que é o meio criado para defender a todos e promover o bem da população? Desde quando eu preciso diariamente de um jornal com mais de 50 folhas de informação sobre o que acontece em vez de saber as informações que realmente me manteriam informado e com muito menos páginas? Porque não noticiam no mundo as coisas boas que acontecem e através de bombardamentos de sangue e atos negativos nos treinam para desconfiar de tudo e de todos e não dar credibilidade a nenhum tipo de instituição burocrática? Porque não estudamos no ensino médio arte, filosofia, sociologia, política, religiões e psicologia? Porque não pensamos no que seria bom para todos e para os outros em vez de pensar apenas no que é bom para nós?
Nos limitam e nos escondem as informações e idéias do verdadeiro propósito de tudo isso que existe mas se talvez esse flautista já tenha parado de tocar e as informações e idéias estão ao alcance de todos, porque será que sua maldita música ainda toca em rádios, TVs, computadores, celulares e MP3s?
Quando que meus ouvidos vão deixar de escutar uma música viciada e quando poderei resolver o que vou fazer da minha única vida?
Hoje em dia estamos cheios de flautistas e eles estão por toda parte, estão porque certo dia tiveram a brilhante idéia de "criar" um flautista que nos roubasse os valores, a moral, o certo e o errado, nos tiraram o interesse pelo bem comum, planificaram os julgamentos nesse mundo em que "tudo é igual" e enxertaram em palavras tão significativas outras palavras que relativizam e diminuem o sentido real delas mesmas. Nos extinguiram o significado da vida e nos enquadraram em ações rotineiras em busca do que nos ajudará a ter mais e a ser e pensar menos. A cada dia vêm um novo jornal e a notícia de ontem já não existe, o que acontece amanhã anula o nosso hoje e os escândalos nacionais ontem são águas passadas.
O que é essa música que sinto nos meus ouvidos e que me aflige o cérebro e me toma as atitudes? Quem a toca e quem teve a idéia de contratá-lo? Até quando vou dançar essa música? Até quando vou ser considerado um "careta" por professar uma religião, por escolher estar as vezes em casa com a minha família em vez de ir para a balada, por ter e defender as minhas opiniões políticas acreditando que é o meio criado para defender a todos e promover o bem da população? Desde quando eu preciso diariamente de um jornal com mais de 50 folhas de informação sobre o que acontece em vez de saber as informações que realmente me manteriam informado e com muito menos páginas? Porque não noticiam no mundo as coisas boas que acontecem e através de bombardamentos de sangue e atos negativos nos treinam para desconfiar de tudo e de todos e não dar credibilidade a nenhum tipo de instituição burocrática? Porque não estudamos no ensino médio arte, filosofia, sociologia, política, religiões e psicologia? Porque não pensamos no que seria bom para todos e para os outros em vez de pensar apenas no que é bom para nós?
Nos limitam e nos escondem as informações e idéias do verdadeiro propósito de tudo isso que existe mas se talvez esse flautista já tenha parado de tocar e as informações e idéias estão ao alcance de todos, porque será que sua maldita música ainda toca em rádios, TVs, computadores, celulares e MP3s?
Quando que meus ouvidos vão deixar de escutar uma música viciada e quando poderei resolver o que vou fazer da minha única vida?
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Tu
Hoje haver significa ser? Essa e a pergunta-chave. Sera que sou mais feliz a medida que compro mais uma roupa, ou um carro, ou um acessório?
A sociedade nos impõe em larga escala e torrencialmente as últimas modas e nos promete a felicidade através de um produto que tem média-curta vida.
Não nos iludamos em dizer que comprar qualquer coisa não nos traz nada. Traz sim um sentimento que nos deixa "felizes" por pouco tempo e com prazo de validade. Não se engane pensando que a felicidade tem prazo de vida pois não tem, mas esse é um discurso para depois.
O que sentimos quando compramos alguma coisa não é nada mais que prazer. O prazer que nos conduz a comprar mais para sentir mais prazer.
Nesse momento existe a possibilidade, e sempre existirá, da escolha do ser. A escolha do ser não significa nunca mais na vida comprar mas sim dar o real valor ao gesto. Significa atuar numa cultura nova onde se compra porque existe uma necessidade em questão, mudando assim o escopo da compra, afinal compro porque tenho necessidade e não porque farei inveja nos outros ou para sentir aquele velho prazer que nos distancia do que somos.
Quem é você? Quais são seus defeitos e sua virtudes? O que gostas e o que não gostas?
Escolhes hoje a alegria de ser ou o prazer de haver?
A sociedade nos impõe em larga escala e torrencialmente as últimas modas e nos promete a felicidade através de um produto que tem média-curta vida.
Não nos iludamos em dizer que comprar qualquer coisa não nos traz nada. Traz sim um sentimento que nos deixa "felizes" por pouco tempo e com prazo de validade. Não se engane pensando que a felicidade tem prazo de vida pois não tem, mas esse é um discurso para depois.
O que sentimos quando compramos alguma coisa não é nada mais que prazer. O prazer que nos conduz a comprar mais para sentir mais prazer.
Nesse momento existe a possibilidade, e sempre existirá, da escolha do ser. A escolha do ser não significa nunca mais na vida comprar mas sim dar o real valor ao gesto. Significa atuar numa cultura nova onde se compra porque existe uma necessidade em questão, mudando assim o escopo da compra, afinal compro porque tenho necessidade e não porque farei inveja nos outros ou para sentir aquele velho prazer que nos distancia do que somos.
Quem é você? Quais são seus defeitos e sua virtudes? O que gostas e o que não gostas?
Escolhes hoje a alegria de ser ou o prazer de haver?
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
O mestre ensina. Não porque sabe. Não porque tem medo de que os seus passem pelo que ele passou. Ensina porque ama. Não só porque ama a quem ensina mas porque os que são amados possam um dia amar. Não só ama ensinando. Ama perdoando. O mestre perdoa a tudo e a todos, não pelos atos que serão apagados da memória (sim, porque quem ama tambem esquece o que o outro fez e o ve com olhos novos, sempre) mas pela grande pessoa que cada um tem a possibilidade de se tornar, aprendendo a ser um mestre que ama, que perdoa e que ensina.
Mestre Lazinho
Alvoreceu o dia
o mestre carrega o terço
que o carrega sem sentir
leves seus pés caminham
já não há mais impedimento
que te impeça de viver
sobrenaturalmente
a humanidade grita
a tua sabedoria murmura
passas não passas
diz com os olhos
o segredo de vida eterna
a corporeidade flácida
da humanidade
não aprendeu a ancorar
na tempestade que ondeja
e derruba sem cessar
ensina-nos com uma palavra
a reconstruir o presepio
que ora se faz abandonadas
e com o terço que anda a carregar
amas ainda aquelas 11 tábuas
que ainda não aprenderam a amar
Gabriel José da Silva Oliveira para o 85º aniversario do pai e mestre Lázaro de Oliveira
Mestre Lazinho
Alvoreceu o dia
o mestre carrega o terço
que o carrega sem sentir
leves seus pés caminham
já não há mais impedimento
que te impeça de viver
sobrenaturalmente
a humanidade grita
a tua sabedoria murmura
passas não passas
diz com os olhos
o segredo de vida eterna
a corporeidade flácida
da humanidade
não aprendeu a ancorar
na tempestade que ondeja
e derruba sem cessar
ensina-nos com uma palavra
a reconstruir o presepio
que ora se faz abandonadas
e com o terço que anda a carregar
amas ainda aquelas 11 tábuas
que ainda não aprenderam a amar
Gabriel José da Silva Oliveira para o 85º aniversario do pai e mestre Lázaro de Oliveira
quinta-feira, 3 de julho de 2008
O real valor das importâncias
Todos correm para cá e para lá, sempre há algo para fazer e um horário para chegar. Os eventos que nos cercam todos os dias nos completam (?), mas não deveria ser assim. Em um dia somos capazes de planejar as próximas horas, tomar café, trabalhar, fazer algum trabalho que não seja o que deveríamos estar fazendo, reclamar da vida e tentar esquecer o que não deu certo ou foi feito errado ou mesmo o que apenas aconteceu. Vivemos de instantes e no entanto não nos satisfazemos com eles.
E por quê raios fazemos isso? Será porque todos fazem ou porque não gostamos de ter surpresas? Será que aquela sua vizinha que você não via faz tempo e que agora você a encontrou num lugar qualquer vai desmantelar todo o seu esquema tático de horários querendo parar para conversar?
Pessoas são mais importantes que fatos. Não vou fazer aquele discurso que talvez aquela vizinha estivesse necessitando de você.
Pessoas são mais do que necessidades e devem ser tratadas como prioridades. Ou por acaso você vai para uma reunião em um cliente sem antes dar bom dia para a secretária? Talvez você passe e a secretária esteja tão atarefada que nem ouvirá a sua saudação! E por isso você já vai entrar de cara amarrada para conversar com aquele cliente que tem uma voz chata assomando a uma secretária que estava desatenta???
As pessoas são a única forma de perpetuação nesse mundo. Como assim!?
Calma, eu sei que todos nós estamos de passagem, mas certamente você irá marcar seus filhos, netos e demais pessoas que convivem contigo depois que você partir. Aliás você já os marca, só que não notamos, pois afinal de contas, você vai voltar amanhã pra reclamar de outra pessoa que não lhe respondeu bom dia e assim vai...
Mas porque não marcar com o que você possui de mais belo?
Acaso aquela vizinha certamente notou que você tirou os aparelhos ortodônticos e está com um belo sorriso. Ou que a sua voz está diferente, mais calma e seus olhos parecem mais atentos do que nunca... não para o que passa na rua mas se fixando em você. Como ele fez isso? Como ele ensinou a se viver com os passos da vida? Não sei, afinal de contas quem sabe eu não vá descobrir indo visitar meu cliente, dando bom dia a secretária, encontrar com a minha vizinha, parar e lhe dar atenção, dar um belo sorriso e viver intensamente o momento presente?
E por quê raios fazemos isso? Será porque todos fazem ou porque não gostamos de ter surpresas? Será que aquela sua vizinha que você não via faz tempo e que agora você a encontrou num lugar qualquer vai desmantelar todo o seu esquema tático de horários querendo parar para conversar?
Pessoas são mais importantes que fatos. Não vou fazer aquele discurso que talvez aquela vizinha estivesse necessitando de você.
Pessoas são mais do que necessidades e devem ser tratadas como prioridades. Ou por acaso você vai para uma reunião em um cliente sem antes dar bom dia para a secretária? Talvez você passe e a secretária esteja tão atarefada que nem ouvirá a sua saudação! E por isso você já vai entrar de cara amarrada para conversar com aquele cliente que tem uma voz chata assomando a uma secretária que estava desatenta???
As pessoas são a única forma de perpetuação nesse mundo. Como assim!?
Calma, eu sei que todos nós estamos de passagem, mas certamente você irá marcar seus filhos, netos e demais pessoas que convivem contigo depois que você partir. Aliás você já os marca, só que não notamos, pois afinal de contas, você vai voltar amanhã pra reclamar de outra pessoa que não lhe respondeu bom dia e assim vai...
Mas porque não marcar com o que você possui de mais belo?
Acaso aquela vizinha certamente notou que você tirou os aparelhos ortodônticos e está com um belo sorriso. Ou que a sua voz está diferente, mais calma e seus olhos parecem mais atentos do que nunca... não para o que passa na rua mas se fixando em você. Como ele fez isso? Como ele ensinou a se viver com os passos da vida? Não sei, afinal de contas quem sabe eu não vá descobrir indo visitar meu cliente, dando bom dia a secretária, encontrar com a minha vizinha, parar e lhe dar atenção, dar um belo sorriso e viver intensamente o momento presente?
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