Um dia passei por uma grande avenida movimentada. Carros buzinando, gente passando falando ao telefone, enfim, o caos cotidiano. Percebi que já não ouvia o barulho dos meus passos nem o som dos objetos que balançavam dentro de minha mochila. De sopetão parei, coloquei os dedos nos ouvidos e fechei os olhos... queria ter um tempo só para mim, estava cansado de ouvir um barulho que não tinha nenhum sentido.
Então, desde aquele dia decidi que haveria de escutar as coisas com "um quê" especial, como se cada coisa que me dissessem fosse apenas o que haveria de ouvir o dia inteiro.
Eis a conclusão que cheguei.
As pessoas sentem necessidades excruciantes de expressar suas idéias e de manter, verbalmente, um caráter decisivo sobre determinados fatos cotidianos, de modo que deixem explicitamente quais são seus objetivos 'imediatos'. Digo isso pois em conversas informais as pessoas tem alto grau de impossibilidade de falar sobre o que realmente pensam... do que é certo ou errado para elas... e por isso, e principalmente por esse 'comportamento abrasileirado' de sempre concordar com o que os outros dizem, muitas pessoas acabam se contradizendo.... ora falando o que pensa, ora concordando com o que ouvem.
A agonia do ser é de não emitir qualquer manifestação, fator que precede as ações.
Mas escutar representa muito mais do que uma 'anulação' de pensamentos. É algo nobre e que deve ser cultivado a cada dia.
Escutar para haver harmonia nas relações, para que o valor do que é dito aumente mas que haja o mesmo valor que a escuta e que quem escuta faça-o de forma sincera e verdadeira.
Escutar não é de forma alguma a anulação do pensamento e sim o reforço do caráter próprio, a prática do respeito integral por cada ser humano, para que o mundo creia que existe um futuro melhor, a partir de relações mais "audíveis".
quarta-feira, 30 de abril de 2008
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1 comentários:
Tem razão.Há pessoas com surdez clássica e outras de cérebro.Com certeza seu alerta é verdadeiro.
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