quinta-feira, 10 de abril de 2008

A árvore tem as suas raízes

Um dia a semente germinou, aos poucos foi se ajeitando e buscando o ar naquele ambiente que fazia um bem
tão grande a ela que a alegria foi o seu primeiro sentimento. Viu aquelas cascas em sua volta
mas não parou para pensar de onde elas vieram. Os dias se passaram e as raíz pode se alimentar dos nutrientes
que a terra lhe proporcionava. Um dia ao despertar foi tomada por uma sensação nunca antes sentida, através
das suas fibras brotava algo que não sabia descrever mas que era imensamente prazeroso... o sol pela primeira
vez naquela manhã banhava suas pequenas ramificações e a impulsionava a querer crescer cada vez mais.

O tempo foi passando, a semente deixou de ser um pequeno ramo para ser uma pequena árvore, agradecia ao sol por
cada dia que vinha visitá-la e se despedia todos os dias pela tarde. A pequena árvore se tornou uma das maiores
ali presentes. No seu auge era puro esplendor, os pássaros vinham lhe visitar, animais de todos os portes e
raças vinham buscar suas sombras e tudo era belo e perfeito.

Um dia sentiu pela primeira vez o cansaço de anos e anos incrustada naquela parte do solo, o qual conhecia melhor
do que qualquer ser que se proposse a descobrir os arredores.
Nós não deveriamos viver para sempre? A árvore se perguntou.

Então lembrou do dia em que se deu por si que existia, viu aquelas cascas que estavam ao redor dela e entendeu,
ela própria antes era semente e teve de morrer a si mesmo na quele momento para germinar, crescer e se tornar
uma bela árvore.

Ela olhou discretamente para as suas raízes e contemplou o que antes era apenas uma semente e fazia aquilo todos
os dias no entardecer para se lembrar e ser grato de que um dia, enquanto semente, aprendeu a morrer a si mesmo
na forma mais literal do ser.

Morrer a si mesmo no momento presente está longe de ser um ato passivo. É uma obra sábia e digna de quem a executa
e tão misteriosa quanto o ser que nela age e existe, pois só ela saberá de seu ato enquanto ser, saberá o que
acolheu e o que anulou para ser inteiramente receptivo aos que com ela convivem e que nela acham o refúgio de
suas aflições.

0 comentários: