Certo dia estava conversando com um colega. Ele tinha mais ou menos minha idade e era muito comunicativo, era bom nisso e todos os que conversavam com ele saíam alegres e felizes, esqueciam dos problemas e desventuras que haviam ocorrido. Sempre tinha um sorriso em seu rosto e um jeito especial de cumprimentar cada um, como se estivesse esperando por aquela pessoa o dia inteiro.
Lhe perguntei o porque de estar feliz... me respondeu que não havia um motivo exato por estar feliz... que aquele dia havia acordado, aberto a janela e se deparado com um céu muito claro e azul, que se alegrou ao olhar e que tinha certeza que o dia seria ótimo.
Naquele dia ele sofreu um acidente e faleceu. No seu enterro havia uma multidão...
Na volta para casa eu estava pensativo... porque deveria ocorrer algo tão terrível com alguém que distribuía calor e vivacidade a quem se dirigia a ele?
Certas pessoas nos alegram quando vivas mas nos marcam profundamente quando partem. Tempos depois comecei a abrir a janela depois de acordar e a agradecer por aquele dia que se iniciava, procurava assumir a certeza de que deveria levar o amor traduzido em presença para todos e pessoas diversas vinham a mim para contar seus problemas e infortúnios mas quem haveria de ouvir os meus?
E descobri que meu colega ainda estava presente dentro de mim. Todos os dias além de acordar para o dia que se iniciava também contava o que havia dentro de mim ao meu amigo e assim estava pronto para aquele dia.
Muito tempo para pensar nos outros e pouco tempo para mim me preencheu a alma e já não havia mais o que falar ao meu colega nas manhãs além de um belo sorriso e a promessa de fazer do dia uma dádiva infinita.
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