quinta-feira, 5 de junho de 2008

O que não atinge o eu

O que é ser cidadão?
Certo dia estava caminhando quando vi um garoto em frente a uma casa gritando com uma senhora. Fato aparentemente normal num relacionamento familiar até o momento em que ela queria correr o garoto dali a vassouradas. O garoto assustado veio se esconder atrás de mim. A senhora que estava travando a briga voltou para dentro de casa resmungando alto. Parei naquele instante e perguntei o porque de estar brigando com a mãe.
- Aquela senhora não é minha mãe.
- Sua tia então?
- Não, e nem minha avó, eu nunca vi aquela senhora na vida.
Perguntei-lhe o porque então de estar brigando com ela. Finalmente a ocasião havia se tornado bizarra. O garoto me respondeu que estava passando para ir a padaria quando viu aquela senhora lavando a calçada com água. Senti a raiva que ele sentia e que poucas vezes pude sentir. Aquele garoto foi corrido da frente da casa porque era um cidadão e queria que a senhora agisse como uma!
Toquei a campainha da casa da senhora não-cidadã. Sentia o garoto se segurando na minha mão e as suas pernas tremendo de medo.
- Não tema, você não está errado.
A senhora saiu novamente, empossada da vassoura e com cara fechada. Lhe perguntei o porquê de ter mandado embora o menino. Vendo que ele se escondia parcialmente atrás de mim ela parecia que iria soltar uns berros novamente. Mas ela relaxou a feição, encostou a vassoura na parede e abaixou a cabeça. Saiu da casa uma menina quase da mesma idade do garoto e a senhora começou a falar:
Me desculpe, realmente você está certo. O que irei ensinar para minha filha se não dou o exemplo?
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Como queria que esta cena não estivesse apenas na minha cabeça.

1 comentários:

Rose Pelayo - RJ disse...

É o que todos procuram... e ela tá bem aqui... dentro da gente