Um dia passei por uma grande avenida movimentada. Carros buzinando, gente passando falando ao telefone, enfim, o caos cotidiano. Percebi que já não ouvia o barulho dos meus passos nem o som dos objetos que balançavam dentro de minha mochila. De sopetão parei, coloquei os dedos nos ouvidos e fechei os olhos... queria ter um tempo só para mim, estava cansado de ouvir um barulho que não tinha nenhum sentido.
Então, desde aquele dia decidi que haveria de escutar as coisas com "um quê" especial, como se cada coisa que me dissessem fosse apenas o que haveria de ouvir o dia inteiro.
Eis a conclusão que cheguei.
As pessoas sentem necessidades excruciantes de expressar suas idéias e de manter, verbalmente, um caráter decisivo sobre determinados fatos cotidianos, de modo que deixem explicitamente quais são seus objetivos 'imediatos'. Digo isso pois em conversas informais as pessoas tem alto grau de impossibilidade de falar sobre o que realmente pensam... do que é certo ou errado para elas... e por isso, e principalmente por esse 'comportamento abrasileirado' de sempre concordar com o que os outros dizem, muitas pessoas acabam se contradizendo.... ora falando o que pensa, ora concordando com o que ouvem.
A agonia do ser é de não emitir qualquer manifestação, fator que precede as ações.
Mas escutar representa muito mais do que uma 'anulação' de pensamentos. É algo nobre e que deve ser cultivado a cada dia.
Escutar para haver harmonia nas relações, para que o valor do que é dito aumente mas que haja o mesmo valor que a escuta e que quem escuta faça-o de forma sincera e verdadeira.
Escutar não é de forma alguma a anulação do pensamento e sim o reforço do caráter próprio, a prática do respeito integral por cada ser humano, para que o mundo creia que existe um futuro melhor, a partir de relações mais "audíveis".
quarta-feira, 30 de abril de 2008
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Flores
Certo dia, num parque havia um casal de namorados passeando. Estavam conversando sobre as qualidades de ambos e estava tudo muito bem, até que começaram a falar dos defeitos que cada um percebia no outro... o que a chateava, o que o deixava irritado... e a conversa virou uma discussão. No começo estavam juntinhos e naquele momento estavam a dois metros de distânicia um do outro. As pessoas que passavam por ali já notavam o tom de voz excessivamente alto dos dois e passavam assistindo, como se fosse um espetáculo. A cena exibia duas pessoas a plenos pulmões que negavam escutar um ao outro, enfim, era realmente deprimente.
Num segundo instante veio uma criança de mais ou menos 7 anos com uma flor em cada mão, ela tinha um semblante harmonioso e feliz e de passo em passo chegou vagarosamente perto do casal que já apresentavam as faces avermelhadas de tanto gritarem. A criança olhou para a situação e disse um 'Olá'. Os dois subitamente pararam de gritar um com o outro e começaram a olhar para a criança. Então ela foi até os dois, entregou uma flor para cada um e começou a contar uma história.
"Certa vez, num campo de flores eternas haviam espécies de vários formatos, cores, alturas e perfumes totalmente diferentes e todos os dias havia uma abelha que as visitava para colher o néctar. Ela era sempre muito cuidadosa ao escolher uma flor, pois era de apenas uma que colhia a quantidade que necessitava, ela se demorava pairando sobre as flores para escolher a mais perfeita e bela. Até que certa vez escolheu uma que ao chegar perto notou que já havia lhe visitado, pensou consigo mesma o porque de haver escolhido ela novamente e porque não apenas uma vez ou todos os dias. A abelha compreendeu que cada dia as pétalas e tudo que a atraía nas flores mudava, de modo que se um dia havia uma pétala em uma flor que não estava bem ou murcha no outro dia a flor tinha a possibilidade de trocar as pétalas e tudo que não ia bem para que ficasse perfeita."
-Assim são as pessoas. A criança disse para o casal. Todos os dias temos a possibilidade de melhorar o que não vai bem e manter o que vai bem de modo que nos aperfeiçoamos continuamente. Cada um não deve olhar para o outro como se tivesse aquele defeito de ontem ou de há poucos instantes, também nossos olhos devem se regenerar diante das pessoas, mas quem deve dar a possibilidade para mudar somos nós mesmos. Estas flores que lhes dei tem vida finita mas o que vocês devem sentir um pelo outro deve ser algo infinito, ressaltem o que vêem de belo um no outro assim como ressaltariam as belezas destas flores e deixem de lado as "pétalas murchas"
Num segundo instante veio uma criança de mais ou menos 7 anos com uma flor em cada mão, ela tinha um semblante harmonioso e feliz e de passo em passo chegou vagarosamente perto do casal que já apresentavam as faces avermelhadas de tanto gritarem. A criança olhou para a situação e disse um 'Olá'. Os dois subitamente pararam de gritar um com o outro e começaram a olhar para a criança. Então ela foi até os dois, entregou uma flor para cada um e começou a contar uma história.
"Certa vez, num campo de flores eternas haviam espécies de vários formatos, cores, alturas e perfumes totalmente diferentes e todos os dias havia uma abelha que as visitava para colher o néctar. Ela era sempre muito cuidadosa ao escolher uma flor, pois era de apenas uma que colhia a quantidade que necessitava, ela se demorava pairando sobre as flores para escolher a mais perfeita e bela. Até que certa vez escolheu uma que ao chegar perto notou que já havia lhe visitado, pensou consigo mesma o porque de haver escolhido ela novamente e porque não apenas uma vez ou todos os dias. A abelha compreendeu que cada dia as pétalas e tudo que a atraía nas flores mudava, de modo que se um dia havia uma pétala em uma flor que não estava bem ou murcha no outro dia a flor tinha a possibilidade de trocar as pétalas e tudo que não ia bem para que ficasse perfeita."
-Assim são as pessoas. A criança disse para o casal. Todos os dias temos a possibilidade de melhorar o que não vai bem e manter o que vai bem de modo que nos aperfeiçoamos continuamente. Cada um não deve olhar para o outro como se tivesse aquele defeito de ontem ou de há poucos instantes, também nossos olhos devem se regenerar diante das pessoas, mas quem deve dar a possibilidade para mudar somos nós mesmos. Estas flores que lhes dei tem vida finita mas o que vocês devem sentir um pelo outro deve ser algo infinito, ressaltem o que vêem de belo um no outro assim como ressaltariam as belezas destas flores e deixem de lado as "pétalas murchas"
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Certo dia estava brincando com meus irmãos. Claro, brigávamos por qualquer coisa. O que um tinha nas mãos o outro queria ter, não pelo desejo de brincar com um outro brinquedo mas porque havia uma vontade de possuir o que o outro possuía. eu era assim pelo menos, meu irmão já não era assim, se ele não podia ter para ele em tempo integral o que tinha no momento, pegava seja lá o que fosse e o destruía. Uma vez por não poder controlar o canal de TV de acordo com a sua vontade (logicamente os outros irmãos queriam assistir outras coisas) ele, num momento de raiva intensa, jogou o controle remoto contra a parede e o fez se desintegrar em diversos pedaços. Depois ele sofreu as conseqüências mas aquilo ficou marcado para mim, altamente relacionado a possessão de bens. E pensar que hoje em dia tem gente que apenas pensa em agregá-los. Talvez meu irmão teria se tornado um deles e eu também se um dia não tivéssemos feito uma visita um tanto quanto peculiar.
Certo dia fomos com nosso pai visitar uma senhora que morava numa favela próxima de nossa casa e levar-lhe comida. Quando crianças sempre fazíamos isto, eu e meus irmãos odiávamos, pois gostávamos do nosso mundo do jeito que era e estar em outro que tinha menos condições que o nosso não agradava muito.
Ao entrar na casa da senhora levei um choque. A casa era construída precariamente, fogão de lenha e o chão era terra batida altamente irregular, mas o que mais me impressionou foi que no pé de uma das paredes havia um buraco que dava liberdade para a entrada de um esgoto. Nunca havia visto tal situação em nenhuma das casas mais palpérrimas que visitei. Havia esgoto correndo da favela direto para aquele buraco.
Me colocar na situação daquela senhora foi algo que me custou anos. Ainda penso no egoísmo desse mundo e como alguém pode deixar de pensar no bem comum ao se posicionar num cargo que responde pelo futuro e condição de vida de pessoas.
Mesmo assim, ainda acredito numa política nova onde o bem comum será o motivo para todos estarem ali, afinal de contas desde o princípio os fins nunca foram outros.
Certo dia fomos com nosso pai visitar uma senhora que morava numa favela próxima de nossa casa e levar-lhe comida. Quando crianças sempre fazíamos isto, eu e meus irmãos odiávamos, pois gostávamos do nosso mundo do jeito que era e estar em outro que tinha menos condições que o nosso não agradava muito.
Ao entrar na casa da senhora levei um choque. A casa era construída precariamente, fogão de lenha e o chão era terra batida altamente irregular, mas o que mais me impressionou foi que no pé de uma das paredes havia um buraco que dava liberdade para a entrada de um esgoto. Nunca havia visto tal situação em nenhuma das casas mais palpérrimas que visitei. Havia esgoto correndo da favela direto para aquele buraco.
Me colocar na situação daquela senhora foi algo que me custou anos. Ainda penso no egoísmo desse mundo e como alguém pode deixar de pensar no bem comum ao se posicionar num cargo que responde pelo futuro e condição de vida de pessoas.
Mesmo assim, ainda acredito numa política nova onde o bem comum será o motivo para todos estarem ali, afinal de contas desde o princípio os fins nunca foram outros.
terça-feira, 15 de abril de 2008
A prática do dom
"Quando era criança minha mãe participava de um coral. Era um coral de uma igreja e um dia mamãe me convidou para assistir. Nunca na minha vida havia escutado algo tão belo. Não que a letra fosse bonita mas ao olhar nos olhos de cada um ou cada uma que compunha aquele corpo, parecia que haviam nascido apenas para aquilo. Tomada de imensa euforia me levantei do meu banquinho (que minha mãe havia posto perto de onde ela estava para que ficasse de olho em mim) e de pronto soltava a voz no mais alto som. O coral parou de cantar no mesmo minuto devido ao meu gesto inocente e totalmente desmedido e os que não haviam reparado foram brutalmente parados pelo maestro que com um gesto brusco ordenou a todos que se calassem. Havia algo em seus olhos que não poderia adivinhar. Na minha pequenês pensei que ele estava muito bravo e me recolhi ao meu banquinho novamente pensando ser a melhor postura diante
do acontecimento.
Então o maestro me encarou como que tentando desvendar-me. Minha mãe ao ver a situação se mexeu em direção ao maestro balbuciando algo com 'desculpas' e 'é minha filha'. O maestro no mesmo instante pediu que parasse de falar. Veio direto na minha direção, ajoelhou na minha frente e começou a chorar. Eu nunca havia visto alguém além de meu mano mais velho chorar (ele sempre chorava por tudo). Instantaneamente me senti envergonhada e saí correndo da igreja até a porta onde minha mãe veio me seguindo a passos largos até me alcançar.
- Você tem um dom minha filha. Ela me disse.
- E eu vou saber o que é dom? Respondi inocentemente.
- É quando alguém tem a habilidade para fazer algo sem nenhuma técnica.
A partir desse dia ia todos os dias com minha mãe ao coral. Me sentia bem e sempre ao final o maestro gostava de trocar umas palavrinhas comigo, como estava minha garganta, se doia ou nao
(eu nunca me senti mal cantando, em nenhum trecho de qualquer musica).
Assim fui crescendo e nosso coral foi participando de festivais. Ganhávamos muitos prêmios e me sentia feliz por fazer algo que gostava.
A primeira vez que fiz um solo foi algo muito especial. Todos pararam para me ouvir e quando terminei ouvi a maior salva de palmas que pude presenciar na minha vida. encontrei ali a resposta concreta do que seria um dom.
Na escola estava um dia no intervalo distraída cantando uma das músicas que mais gostava. Como não havia ninguém por perto comecei a cantá-la um pouco mais alto para ensaiar. Uns colegas que estavam passando me viram cantar, as pessoas sabiam que eu cantava... quando me pediam que cantasse as músicas que estavam nas rádios eu ia ouví-las apenas para fazê-las felizes e ouvir cantá-las juntamente comigo. Aqueles colegas chegaram perto sem eu perceber e de repente ouvi gargalhadas. Assustada, parei de cantar e olhei para eles, estavam realmente felizes me debochando. Fiquei chocada e perguntei o porque da atitude, eles me disseram que eu "cantava musiquinhas de igreja" e que por isso iriam contar a todos que era uma "madre".
Cheguei em casa muito triste, me tranquei no quarto, não queria mais ver ninguém. Os dias que se seguiram foram os piores do colégio, todos me olhavam e cochicavam entre si, agora tinha um novo apelido. As meninas que eram minhas "amigas" para não ficarem mal faladas deixaram de conversar comigo e me senti num abismo total. Desde aquele dia nunca mais cantei. Deixei de ir ao coral e nunca mais pensei em cantar alguma música por mais animada e entusiasmante que fosse.
Um dia na minha adolescência minha mãe recebeu um telefonema. Estava assustada e confusa pois um amigo seu estava muito mal no hospital e haviam pedido que sua mãe fosse para lá visitá-lo. A surpresa: eu deveria ir juntamente com ela, seu amigo lhe pedia. No caminho não entendia o porque de um amigo de mamãe estar pedindo que também eu fosse junto com ela. Talvez quisesse ver alguém jovem, ou uma menina... Ao entrar no quarto entendi. O amigo de mamãe era o maestro que há muito tempo estava doente. O quarto estava cheio e sua familia estava toda ali. Mamae foi cumprimentar-lhe mas seus olhos nao saiam de mim. Os médicos haviam dado poucas horas de vida a ele e seu último desejo foi dirigido a mim através de sua boca. Gostaria de me ouvir cantar a Ave Maria ali, naquele momento. Meu coração iniciou uma briga interna, pois fazia anos que não cantava e que não desejava fazê-lo, mas a uma pessoa que sempre me foi tão querida e que de certa forma também era meu amigo não poderia deixar de recusar um pedido. Afinal de contas na escola as colegas que mal conhecia me pediam que cantasse músicas e eu não iria cantar para alguém como o maestro?
Um minuto de concentração para lembrá-la, até eu estava na expectativa de me ouvir. Uma nota enfim deveria sair de minha boca.
Comecei a cantar. Ao término aquele maestro me olhou com os mesmos olhos e com a mesma expressão de quando eu tinha apenas poucos anos e tinha feito aquela cena na igreja. Saímos do quarto e poucos minutos depois o "nosso" maestro já estava descansando em paz para sempre.
Pouco depois sua familia saiu do quarto, fiquei com vergonha ao ver-lhes e me perguntei o porque de não ter ainda ido embora. De repente todos vieram me abraçar chorando e com esse ato entendia muito menos a situação, enfim devia consolar-lhes. A esposa do maestro olhou para mim e disse:
- Ele estava há anos querendo ouvir você cantar. E agora estou chorando não porque ele foi embora mas porque nunca na minha vida ouvi algo que me preenchesse o ser. No mesmo instante me lembrei do meu primeiro beijo, do meu primeiro namorado e do meu casamento. Você, menina, tem um dom que não pode esconder para si, pois já não mais o pertence. Não colocares em prática é o mesmo que jogar uma vida inteira fora, coisa que meu marido não o fez, jamais. Cante minha menina, cante!"
E na história daquele hospital nunca se ouviu algo tão belo.
Não deixe de colocar seus dons em comum. Nunca se sabe quando eles deixarão de ser seus, o momento presente é a dádiva e a oportunidade de colocá-lo em prática. Você tem muito mais dons do que pensa ter.
do acontecimento.
Então o maestro me encarou como que tentando desvendar-me. Minha mãe ao ver a situação se mexeu em direção ao maestro balbuciando algo com 'desculpas' e 'é minha filha'. O maestro no mesmo instante pediu que parasse de falar. Veio direto na minha direção, ajoelhou na minha frente e começou a chorar. Eu nunca havia visto alguém além de meu mano mais velho chorar (ele sempre chorava por tudo). Instantaneamente me senti envergonhada e saí correndo da igreja até a porta onde minha mãe veio me seguindo a passos largos até me alcançar.
- Você tem um dom minha filha. Ela me disse.
- E eu vou saber o que é dom? Respondi inocentemente.
- É quando alguém tem a habilidade para fazer algo sem nenhuma técnica.
A partir desse dia ia todos os dias com minha mãe ao coral. Me sentia bem e sempre ao final o maestro gostava de trocar umas palavrinhas comigo, como estava minha garganta, se doia ou nao
(eu nunca me senti mal cantando, em nenhum trecho de qualquer musica).
Assim fui crescendo e nosso coral foi participando de festivais. Ganhávamos muitos prêmios e me sentia feliz por fazer algo que gostava.
A primeira vez que fiz um solo foi algo muito especial. Todos pararam para me ouvir e quando terminei ouvi a maior salva de palmas que pude presenciar na minha vida. encontrei ali a resposta concreta do que seria um dom.
Na escola estava um dia no intervalo distraída cantando uma das músicas que mais gostava. Como não havia ninguém por perto comecei a cantá-la um pouco mais alto para ensaiar. Uns colegas que estavam passando me viram cantar, as pessoas sabiam que eu cantava... quando me pediam que cantasse as músicas que estavam nas rádios eu ia ouví-las apenas para fazê-las felizes e ouvir cantá-las juntamente comigo. Aqueles colegas chegaram perto sem eu perceber e de repente ouvi gargalhadas. Assustada, parei de cantar e olhei para eles, estavam realmente felizes me debochando. Fiquei chocada e perguntei o porque da atitude, eles me disseram que eu "cantava musiquinhas de igreja" e que por isso iriam contar a todos que era uma "madre".
Cheguei em casa muito triste, me tranquei no quarto, não queria mais ver ninguém. Os dias que se seguiram foram os piores do colégio, todos me olhavam e cochicavam entre si, agora tinha um novo apelido. As meninas que eram minhas "amigas" para não ficarem mal faladas deixaram de conversar comigo e me senti num abismo total. Desde aquele dia nunca mais cantei. Deixei de ir ao coral e nunca mais pensei em cantar alguma música por mais animada e entusiasmante que fosse.
Um dia na minha adolescência minha mãe recebeu um telefonema. Estava assustada e confusa pois um amigo seu estava muito mal no hospital e haviam pedido que sua mãe fosse para lá visitá-lo. A surpresa: eu deveria ir juntamente com ela, seu amigo lhe pedia. No caminho não entendia o porque de um amigo de mamãe estar pedindo que também eu fosse junto com ela. Talvez quisesse ver alguém jovem, ou uma menina... Ao entrar no quarto entendi. O amigo de mamãe era o maestro que há muito tempo estava doente. O quarto estava cheio e sua familia estava toda ali. Mamae foi cumprimentar-lhe mas seus olhos nao saiam de mim. Os médicos haviam dado poucas horas de vida a ele e seu último desejo foi dirigido a mim através de sua boca. Gostaria de me ouvir cantar a Ave Maria ali, naquele momento. Meu coração iniciou uma briga interna, pois fazia anos que não cantava e que não desejava fazê-lo, mas a uma pessoa que sempre me foi tão querida e que de certa forma também era meu amigo não poderia deixar de recusar um pedido. Afinal de contas na escola as colegas que mal conhecia me pediam que cantasse músicas e eu não iria cantar para alguém como o maestro?
Um minuto de concentração para lembrá-la, até eu estava na expectativa de me ouvir. Uma nota enfim deveria sair de minha boca.
Comecei a cantar. Ao término aquele maestro me olhou com os mesmos olhos e com a mesma expressão de quando eu tinha apenas poucos anos e tinha feito aquela cena na igreja. Saímos do quarto e poucos minutos depois o "nosso" maestro já estava descansando em paz para sempre.
Pouco depois sua familia saiu do quarto, fiquei com vergonha ao ver-lhes e me perguntei o porque de não ter ainda ido embora. De repente todos vieram me abraçar chorando e com esse ato entendia muito menos a situação, enfim devia consolar-lhes. A esposa do maestro olhou para mim e disse:
- Ele estava há anos querendo ouvir você cantar. E agora estou chorando não porque ele foi embora mas porque nunca na minha vida ouvi algo que me preenchesse o ser. No mesmo instante me lembrei do meu primeiro beijo, do meu primeiro namorado e do meu casamento. Você, menina, tem um dom que não pode esconder para si, pois já não mais o pertence. Não colocares em prática é o mesmo que jogar uma vida inteira fora, coisa que meu marido não o fez, jamais. Cante minha menina, cante!"
E na história daquele hospital nunca se ouviu algo tão belo.
Não deixe de colocar seus dons em comum. Nunca se sabe quando eles deixarão de ser seus, o momento presente é a dádiva e a oportunidade de colocá-lo em prática. Você tem muito mais dons do que pensa ter.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
A árvore tem as suas raízes
Um dia a semente germinou, aos poucos foi se ajeitando e buscando o ar naquele ambiente que fazia um bem
tão grande a ela que a alegria foi o seu primeiro sentimento. Viu aquelas cascas em sua volta
mas não parou para pensar de onde elas vieram. Os dias se passaram e as raíz pode se alimentar dos nutrientes
que a terra lhe proporcionava. Um dia ao despertar foi tomada por uma sensação nunca antes sentida, através
das suas fibras brotava algo que não sabia descrever mas que era imensamente prazeroso... o sol pela primeira
vez naquela manhã banhava suas pequenas ramificações e a impulsionava a querer crescer cada vez mais.
O tempo foi passando, a semente deixou de ser um pequeno ramo para ser uma pequena árvore, agradecia ao sol por
cada dia que vinha visitá-la e se despedia todos os dias pela tarde. A pequena árvore se tornou uma das maiores
ali presentes. No seu auge era puro esplendor, os pássaros vinham lhe visitar, animais de todos os portes e
raças vinham buscar suas sombras e tudo era belo e perfeito.
Um dia sentiu pela primeira vez o cansaço de anos e anos incrustada naquela parte do solo, o qual conhecia melhor
do que qualquer ser que se proposse a descobrir os arredores.
Nós não deveriamos viver para sempre? A árvore se perguntou.
Então lembrou do dia em que se deu por si que existia, viu aquelas cascas que estavam ao redor dela e entendeu,
ela própria antes era semente e teve de morrer a si mesmo na quele momento para germinar, crescer e se tornar
uma bela árvore.
Ela olhou discretamente para as suas raízes e contemplou o que antes era apenas uma semente e fazia aquilo todos
os dias no entardecer para se lembrar e ser grato de que um dia, enquanto semente, aprendeu a morrer a si mesmo
na forma mais literal do ser.
Morrer a si mesmo no momento presente está longe de ser um ato passivo. É uma obra sábia e digna de quem a executa
e tão misteriosa quanto o ser que nela age e existe, pois só ela saberá de seu ato enquanto ser, saberá o que
acolheu e o que anulou para ser inteiramente receptivo aos que com ela convivem e que nela acham o refúgio de
suas aflições.
tão grande a ela que a alegria foi o seu primeiro sentimento. Viu aquelas cascas em sua volta
mas não parou para pensar de onde elas vieram. Os dias se passaram e as raíz pode se alimentar dos nutrientes
que a terra lhe proporcionava. Um dia ao despertar foi tomada por uma sensação nunca antes sentida, através
das suas fibras brotava algo que não sabia descrever mas que era imensamente prazeroso... o sol pela primeira
vez naquela manhã banhava suas pequenas ramificações e a impulsionava a querer crescer cada vez mais.
O tempo foi passando, a semente deixou de ser um pequeno ramo para ser uma pequena árvore, agradecia ao sol por
cada dia que vinha visitá-la e se despedia todos os dias pela tarde. A pequena árvore se tornou uma das maiores
ali presentes. No seu auge era puro esplendor, os pássaros vinham lhe visitar, animais de todos os portes e
raças vinham buscar suas sombras e tudo era belo e perfeito.
Um dia sentiu pela primeira vez o cansaço de anos e anos incrustada naquela parte do solo, o qual conhecia melhor
do que qualquer ser que se proposse a descobrir os arredores.
Nós não deveriamos viver para sempre? A árvore se perguntou.
Então lembrou do dia em que se deu por si que existia, viu aquelas cascas que estavam ao redor dela e entendeu,
ela própria antes era semente e teve de morrer a si mesmo na quele momento para germinar, crescer e se tornar
uma bela árvore.
Ela olhou discretamente para as suas raízes e contemplou o que antes era apenas uma semente e fazia aquilo todos
os dias no entardecer para se lembrar e ser grato de que um dia, enquanto semente, aprendeu a morrer a si mesmo
na forma mais literal do ser.
Morrer a si mesmo no momento presente está longe de ser um ato passivo. É uma obra sábia e digna de quem a executa
e tão misteriosa quanto o ser que nela age e existe, pois só ela saberá de seu ato enquanto ser, saberá o que
acolheu e o que anulou para ser inteiramente receptivo aos que com ela convivem e que nela acham o refúgio de
suas aflições.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Dia Completo
Um dia um homem andando na rua estava cabisbaixo. Não pudia acreditar que tal coisa havia acontecido com ele. No coração sentia as amarguras da desventura que havia sofrido e sequer pensava no seu rumo, estava no piloto automático, tomado por uma sensação entorpecente. Então ao ver um menino vindo em sua direção notou algo de diferente em seu olhar, estava feliz por ter nas mãos um picolé do sabor que mais gostava. O menino contente de sua situação não viu que seu tênis estava desamarrado e no próximo passo estava desabando no chão e seu picolé caido de sua mão. Então o menino foi correndo pra casa chorando. Ali o homem compreendeu que também havia tropeçado e que havia perdido seu picolé. O que aconteceria com o menino que perdeu o picolé? Haveria de ser consolado pela mãe, a mãe iria comprar outro picolé ou o menino sem nenhum amparo teria de esquecer a situação sozinho?
E o homem no seu caso? Iria viver qual das situações?
O homem aprendeu uma coisa naquele dia que o fez superar seu problema, chegar em casa, dar um beijo na esposa e entregar um presente ao seu filho.
Ele aprendeu que na vida sempre perdemos coisas que nos é importante mas que nunca possuiremos. A vida é curta para se agarrar a um objeto, no entanto é preciso ressaltar o valor do objeto não mais do que ele realmente vale. Afinal de contas, o que é um picolé?
O presente para seu filho? Você já deve saber.
E o homem no seu caso? Iria viver qual das situações?
O homem aprendeu uma coisa naquele dia que o fez superar seu problema, chegar em casa, dar um beijo na esposa e entregar um presente ao seu filho.
Ele aprendeu que na vida sempre perdemos coisas que nos é importante mas que nunca possuiremos. A vida é curta para se agarrar a um objeto, no entanto é preciso ressaltar o valor do objeto não mais do que ele realmente vale. Afinal de contas, o que é um picolé?
O presente para seu filho? Você já deve saber.
Assinar:
Postagens (Atom)