sexta-feira, 20 de junho de 2008

A admiração da família

Certa vez fui questionado o porque de tal pessoa não ter 'autoridade' (vide autoridade como comunicação entre colaboradores e superior). Respondi que talvez seria porque essa pessoa sempre dava risadas. Mas a minha resposta diante da pergunta me fez questionar se era isso mesmo que levava as pessoas a não acreditar no próprio superior que elas tinham.
E a minha resposta estava errada, por mais que haja um jogo de emprego de palavras no tratamento entre superior e colaboradores não eram as risadas o fator decisivo. Aquele superior era 'amigo' de seus colaboradores e explico como isso não tem nada a ver com ter mais ou menos autoridade.
Um funcionário acima de tudo deseja ser tratado igualmente perante todos. Aquele superior era aparentemente legal e amigo mas quando o sobrecarregavam despejava labaredas de fogo sobre os seus colaboradores. O que pensar? Que aquele superior é tão instável emocionalmente e tão desequilibrado nas suas articulações que acaba por descontar a sua vontade de fazer as coisas no prazo certo em cima daqueles que a 10 minutos tinha contado uma piada.
Pessoas desequilibradas nunca atingiram o nível de admiração pelos seus colaboradores. Aliás, admiração?
Sim, admiração é o status mais elevado que um superior pode alcançar com os seus colaboradores. É uma pessoa que acima de tudo vê os seus como uma relação familiar onde todos tem seus valores como pessoa garantidos de modo a deixar de representar apenas uma ferramenta para se conseguir algo que almeja.
Na família todos são importantes e são tratados igualmente.
Agora, será que aquele superior trata seus colaboradores assim?
Talvez não. E o que estamos fazendo para melhorar a situação? Afinal de contas numa família todos são importantes e quando um não está bem o outro não estará bem enquanto o primeiro não melhorar. Veja que ao se doar tentando ajudar quem aparentemente cospe fogo nas suas costas formará um relacionamento totalmente diferente do primeiro. Mas fazer sem desejar nada em troca, pois seus pais não se preocupam com você porque querem algo em troca, certo? No entanto você ganhou muitas coisas na vida por terem aquela educação não foi? Eis aí o seu prêmio.
Vivemos várias horas por dia em ambientes não harmônicos e não nos damos conta que é parte da nossa vida que se esvai. Assim como na nossa família somos de extrema importância e insubstituível, que tal darmos esse mesmo valor aos nossos colegas que são tão cheios de defeitos quanto nós?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O ontem do amanhã

As ações.
Costumamos pensar que tudo depende de nós, que o que somos devemos a nossos esforços e o que deixou de ser foi por nossa culpa e falta de iniciativa. Mas o que se sucede, em muitos casos, são contínuas cadeias de relacionamentos entre pessoas que atuaram direta ou indiretamente na nossa formação, local onde vive, o que fazemos da própria vida e até o que iremos fazer. Assim também é a nossa formação de caráter. Se temos bons exemplos somos moldados por eles, o contrário também serve. Aliás, é o que encontramos mais por aí. Condutas obstruidas que demonstram perfis que dificultam a vida entre os demais, são verdadeiros obstáculos para trilharmos um caminho digno de alguém que diante de tudo que se vê por aí, se sente encorajado a revolucionar o mundo para melhor. E porque não um Mundo Unido?
No decorrer de gerações que vieram e passaram muitas guerras e confrontos armados foram travados. Nenhuma guerra é nobre o suficiente para justificar as vidas que ali partiram, lutando por ideais que fisicamente atingiam outros que tampouco lutavam por algo maior. Mas todos tem a sua chance, todos tem a possibilidade de querer um mundo melhor, de perceber uma centelha viva de esperança pelo caminho que percorrem na escuridão. Se isso vai passar ou não cabe a decisão de seguir o que um dia se apresentou e depende de você que as novas gerações lutem por ideias dignos, nobres e convergentes com outros que promovam o que o mundo precisa e mais carece.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Superfície x Sentimento

A superficialidade dos relacionamentos nunca foi tão óbvia. Ontem, dia 12 de junho foi dia dos namorados. Parecia que só existia pessoas pensando em presentes e em seus respectivos pares e o único assunto que surgia era o que haveria de ganhar do par. Um dia em que todos estavam felizes (exceto os que estavam solteiros). Parecia que as conversas não atingiam nenhum grau de raciocínio maior que transpassasse a data. Voltando para casa depois da faculdade, vi uma cena que protagonizou, concretamente, o quanto os casais "se gostam". Passava todos os dias na frente de um Motel. Naquele dia parecia que iria haver festa no lugar pela quantidade de carros que havia, como se não bastasse o rebuliço, ainda havia fila do lado de fora. Fila num Motel? Esquisito. Superficial? Completamente. Talvez o único dia que seria dedicado aos casais mostrarem que realmente se gostam tenha sido expurgado do calendário. Mas para que precisa de dia para mostrar o que sente? Responderiam: “Ah, deixa para amanhã...”

terça-feira, 10 de junho de 2008

Espelho

Chuva. Me atrapalho com o guarda-chuva, material da faculdade e os pensamentos. Como organizar tudo isso? Percebo que meu guarda-chuva está quebrado. Péssima hora para começar a me molhar. Chego ao meu destino um tanto quanto encharcado e sem me dar conta me vejo reclamando pois meu pé estava ensopado e não gostava muito de me molhar na chuva. Ao parar na entrada do prédio me deparo com um andarilho totalmente lavado, com seu saco plástico nas costas e outro criativamente furado nas duas pontas da base do saco de modo que se pudesse vestir para tentar evitar o inevitável.
Como que eu poderia me queixar dos meus pés se havia alguém passando na minha frente com a própria casa nas costas?
Certamente o sapato preto e gasto que ele usava já estava transbordando.

Me coloco diante de mim mesmo.

Quantos não tem a possibilidade de estudar onde estudo?
E pior.
Quantos que tem a possibilidade de estudar onde estudo e não dão a mínima?

Pior Daquele que teve todas as chances do mundo e deixou de cumprir do que Aquele que não teve chance mas mesmo assim foi a luta.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O que não atinge o eu

O que é ser cidadão?
Certo dia estava caminhando quando vi um garoto em frente a uma casa gritando com uma senhora. Fato aparentemente normal num relacionamento familiar até o momento em que ela queria correr o garoto dali a vassouradas. O garoto assustado veio se esconder atrás de mim. A senhora que estava travando a briga voltou para dentro de casa resmungando alto. Parei naquele instante e perguntei o porque de estar brigando com a mãe.
- Aquela senhora não é minha mãe.
- Sua tia então?
- Não, e nem minha avó, eu nunca vi aquela senhora na vida.
Perguntei-lhe o porque então de estar brigando com ela. Finalmente a ocasião havia se tornado bizarra. O garoto me respondeu que estava passando para ir a padaria quando viu aquela senhora lavando a calçada com água. Senti a raiva que ele sentia e que poucas vezes pude sentir. Aquele garoto foi corrido da frente da casa porque era um cidadão e queria que a senhora agisse como uma!
Toquei a campainha da casa da senhora não-cidadã. Sentia o garoto se segurando na minha mão e as suas pernas tremendo de medo.
- Não tema, você não está errado.
A senhora saiu novamente, empossada da vassoura e com cara fechada. Lhe perguntei o porquê de ter mandado embora o menino. Vendo que ele se escondia parcialmente atrás de mim ela parecia que iria soltar uns berros novamente. Mas ela relaxou a feição, encostou a vassoura na parede e abaixou a cabeça. Saiu da casa uma menina quase da mesma idade do garoto e a senhora começou a falar:
Me desculpe, realmente você está certo. O que irei ensinar para minha filha se não dou o exemplo?
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Como queria que esta cena não estivesse apenas na minha cabeça.