O dia brilhou na noite. A aurora mostrou seu brilho intenso, um brilho que naqueles meados de agosto não costuma aparecer. Do céu, ouviu-se murmúrios e nada mais se comentava a não ser o evento terreno. O evento sim, se sabia do que se tratava. Uma nova alma havia sido conquistada para o bem da humanidade, uma alma pura, profunda, intensa, alegre e jovem que na terra teve também sua passagem. Logo todos correram com grande entusiasmo para saber o que cada um devia fazer, afinal de contas haviam três coisas a serem feitas: preparar a acolhida para aquela nova alma que partiu dali a tantos anos e que agora retornava, mandar para a terra a graça necessária para os momentos em que outras pessoas viessem a sentir falta dessa alma companheira e
finalmente preparar a grande surpresa!
Para a primeira tarefa marcou-se de se encontrarem na entrada e a recepção se daria com grande alegria, gritos e palmas encheriam de brilho a noite que estava apenas por começar. Também prepararam apresentações dos habitantes daquele lugar de gáudio e um deles ficou responsável por mostrar os futuros aposentos daquela alma tão bem quista e a tão esperada surpresa. Para o momento de graças se lembrou de todas as pessoas que mais conviveram com aquela alma que ali chegava e que certamente seriam as que mais precisariam daquela graça.
A surpresa foi preparada com excepcional atenção e tudo foi colocado nos seus devidos lugares. Num canto haviam instrumentos diversos, em outro tecidos dispostos estrategicamente.
Ao finalizar a preparação todos correram para a entrada. Havia um grande barulho. Ao surgir algo difuso na entrada todos se calaram e um corpo perfeito entrou. Todos saudaram a nova figura com gritos e acenos de grande alegria! Uma das almas que estava mais perto conduziu a ação de graças. Foi lembrado e dito cada um dos nomes das pessoas que mais necessitariam daquele momento. Nos pedidos os pais, irmãos e toda a família estavam presentes por primeiro e aqueles que tiveram um relacionamento forte foram também citados. Um momento de silêncio foi seguido para que se pensasse no caminho de amor de cada uma daquelas pessoas e agradecer a Deus a possibilidade de viver. Uma das almas se encarregou de mostrar ao novo habitante seus novos aposentos. No caminho a nova alma perguntou do porque da aurora. O guia explicou que a aurora era um sinal, sinal de que durante toda sua vida essa alma amou, amou a Deus e a seus irmãos e viu neles o vulto do Pai que se assemelha aos filhos. Dito isto a nova alma adentrou em sua morada sorrindo e olhando cada superfície. A imagem lhe remeteu um lugar conhecido e que já havia estado antes. O guia lhe falou que havia ainda uma nova surpresa e ao sairem do recinto e caminharem por alguns instantes encontraram uma grande festa no céu! Músicas e danças perfeitas ecoavam e o convidavam para participar. A festa se prolongou por toda eternidade e é possível assistí-la da terra, quando é noite e o céu está limpo, quando as luzes da cidade não ofuscam o brilho de cada uma das estrelas e que agora, com uma nova estrela, o céu se completará mais, a cada dia mais, até que todas as auroras se tornem puro e contínuo brilho no céu não havendo mais a escuridão.
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=)
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